Renato Carmo

No início dos anos 90 Francis Fukuyama propagandeou a tese de que o Ocidente teria atingindo o fim da história. Um estado último onde a economia de mercado espontaneamente se reproduziria como um sistema quase perfeito e equilibrado.

Esta tese anunciava o fim da própria política na medida em que não haveria alternativas viáveis ao modelo neoliberal. Nessa altura estávamos longe de imaginar que seria a UE a levar mais longe a imposição institucional desta tese. O nível de irredutibilidade nas negociações demonstrado pelas instituições europeias e o FMI é revelador desse fanatismo que impera nos líderes e tecnocratas europeus. Um fanatismo que defende acerrimamente o interesse dos credores.

Perante a estratégia declarada por parte destas instituições em destruir tudo o que represente uma alternativa, independentemente de esta ter sido legitimamente sufragada em eleições nacionais, a resposta grega só poderia ser uma: não capitular e devolver ao povo a possibilidade de exprimir democraticamente a sua vontade política. O resultado do referendo pode significar o fim do fim. Caberá ao povo grego decidir qual o rumo da história do seu país e da União.

Renato Miguel do Carmo

Sociólogo

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Artigo hoje publicado no Diário Económico

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