Jorge Pinto

Os últimos anos foram de uma dificuldade extrema para os portugueses. Batemos (quase) no fundo. Perderam-se direitos, emigraram cidadãos a um ritmo há muito não visto, atacou-se o Estado social, aumentaram as desigualdades. Capitulamos perante o discurso – e a acção – da austeridade e do “não há alternativa”. Governados por políticas imediatistas, assistimos a uma impiedosa regressão da qualidade de vida dos portugueses. E, apesar de tudo isto, não nos foi nunca apresentada uma visão para o país a médio e longo prazo que não fosse mais austeridade e mais pobreza.

Chegou o momento de nos levantarmos. De dizer que há sempre alternativas e que estamos dispostos a indicar novos rumos. Em primeiro lugar, é fundamental libertarmo-nos do garrote da austeridade, devolvendo ao Estado o seu papel de promotor de emprego e de bem-estar.   Seguidamente, temos que ser radicalmente desafiadores do paradigma do crescimento económico como fim único das políticas públicas. Não negando a sua importância – e até possível necessidade no imediato – devemos apontar para um futuro onde as políticas se rejam pela promoção da prosperidade e não do crescimento.

Um plano de relançamento da economia, social e ambientalmente responsável, emerge assim como alternativa. Um New Deal verde, gerador de empregos e onde os fundos sejam utilizados no combate às desigualdades, na promoção das boas práticas ambientais, nomeadamente através do aumento da eficiência energética e promoção das energias renováveis, é um passo que deve ser dado. E assim, passo a passo, poderemos chegar a um Portugal mais justo e solidário, onde a prosperidade não seja refém do crescimento económico.

Jorge Pinto

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