Renato Carmo

Logo que foi eleito a estratégia do Syriza para com as instituições europeias e o FMI foi muito clara: chegou a hora da política.

Para isso teria de combater a tecnocracia em várias frentes. A estratégia passou, entre outros aspectos, por esvaziar a retórica de uma novilíngua que se apropriara da Europa, por alterar os roteiros e rotinas de negociação habitual, por montar uma diferente postura na actuação dos principais actores políticos.

Mas passou, acima de tudo, por identificar os dilemas políticos que contam. A chave destes dilemas chama a atenção para a impossibilidade em se insistir na política cega da austeridade sobre um povo que sofre uma crise social profunda.

A insistência no mesmo levará a curto prazo à destruição da Grécia. O mandato do governo grego é o de defender o país dessa maior calamidade e fazer tudo para que a sociedade e a economia recuperem. Em contrapartida a resposta das “instituições” resumiu-se em não abdicar da tecnocracia e a esvaziar ao máximo a política do processo negocial. Trata-se de uma aberração monumental que ignora as lições do passado e se recusa a perceber que no fim será sempre a política a decidir. Esperemos que não seja tarde demais para a Grécia e para o futuro da União.

Renato Carmo

Artigo publicado no Diário Económico a 21/05/2015

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