Luísa Álvares

Pat Cox, economista irlandês, ex Presidente do Parlamento Europeu, denunciou a austeridade em Março de 2015 – “O plano de resgate grego serviu os bancos franceses e alemães(…). A Europa fez falsa manobra. Para sair desta crise sem fim (…) é urgente relançar o investimento e lutar contra o desemprego massivo dos jovens (…)”. Na audiência estava o Embaixador alemão –  “Nasci em 1951 na esperança de ver realizado os Estados-Unidos da Europa. Por ora ela não existe(…) Contrariamente ao que defendem os advogados do relançamento económico, não há margem de manobra fiscal para os investimentos sem aumentar a dívida das gerações futuras. (…) Sou Embaixador da Alemanha, e jamais serei representante de uma nação hegemónica”, retorquiu Otto Lampe.

Em Outubro de 2014 Mark Blyth explicou na Gulbenkian como a Irlanda é um caso de sucesso. Conseguiu reerguer-se não por causa, mas apesar, da austeridade. Atraindo multinacionais com pacotes fiscais.

Na sexta-feira 13 de Março 2015 a Islândia retirou o seu pedido de adesão à UE. Contentam-se em fazer parte do espaço Schengen e da NATO.

A agenda inadiável do estado Português deve incluir um processo contra a Troika, ou a Comissão Europeia, o BCE e o FMI, junto do Tribunal de Justiça da União Europeia. Podemos acabar todos à mesa numa conferência Europeia sobre a dívida. Só em semelhante contexto é possível trazer para cima da mesa toda a verdade. As reuniões do Eurogrupo são superficiais. Analisam-se apenas cenários, estima-se o impacto nas finanças públicas, e esta é também uma discussão de história e moral.

Portugal foi coarctado a assinar um consentimento (des)informado para a toma de medicamento teratogénico para o qual não tinha indicação. Entre 2009 e 2012 por cada 1 euro não gasto para cumprir a austeridade perdemos 1,4 euros de riqueza. A correlação entre austeridade e aumento da dívida é de 0,966 (quanto mais perto de 1 maior o factor “austeridade” explica a variação observada no factor “dívida”).

Não fazermos este trabalho na Europa é perder a oportunidade de corrigir o sistema monetário, é perder competitividade. O pior que pode acontecer é o status quo, ou sermos empurrados a sair do Euro, em que é que isto é diferente do caminho onde estamos? Dizem-me que não há caso para processo. Os governos foram democraticamente eleitos. São as leis que servem o Homem e não o seu contrário.

Colocar as instituições da troika em tribunal é tão radical quanto uma cirurgia o é. É o que tem que ser. E o que tem que ser, tem muita força.

Luísa Álvares

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