Safaa Dib

A estabilidade que a minha geração conheceu enquanto crescia já desapareceu por entre as brumas da nostalgia e agora enfrentamos muitas partes do mundo de novo a serem quebradas por erros a que somos alheios. Demasiadas vidas estão entregues a passividade e impotência ou à mercê de violência. Deixamos outros tomar decisões importantes por nós, mas podemos ser facilmente enganados e, de um dia para o outro, tudo o que passamos a ouvir são discursos plenos de fanatismo.

Há uma batalha a decorrer sobre como será o nosso séc. XXI. Até agora, aparentemente estamos condenados a um interminável ciclo de repetição de História em que os erros nunca são aprendidos. Seremos como a civilização do livro de ficção científica pós-apocalíptico A Canticle for Leibowitz de Walter M. Miller Jr. em que a idade da luz cede à idade das trevas e assim por diante? Ou seremos como a civilização perdida dos Krell em O Planeta Proibido que libertou os seus demónios interiores no mundo, desconhecendo o mal que isso iria causar?

Talvez ainda seja cedo demais para responder a estas questões, mas a ficção científica muitas vezes já as colocou por nós e deu respostas. Muitas dessas respostas não são animadoras e certamente ninguém quer que o mundo se torne o local abandonado e sem vida no ano de 2026 como descrito no conto de Ray Bradbury, There Will Come Soft Rains.

Mas estas histórias são apenas advertências, não factos. Os monstros do id, o subconsciente mais negro – a ganância e ambição –, podem ainda ser combatidos enfrentando a realidade de uma vez por todas e recusando com todas as forças o fundamentalismo, as injustiças gritantes e a perda da dignidade humana.

Safaa Dib

Coordenadora editorial na área do livro

https://oirrevogavelblog.wordpress.com/

safaadib@gmail.com

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