Manuela Silva

Está agora a ser decidida a sociedade que seremos no futuro. Nas últimas décadas procurámos recuperar o enorme atraso e as gritantes desigualdades do nosso país. Aspirámos a ser um país mais democrático e mais coeso, onde todos os cidadãos pudessem viver como iguais e com dignidade. Esboçámos um Estado Social solidário e redistributivo, pago por todos e dirigido a todos. Este processo saldou-se numa evidente melhoria do nível de bem-estar, de saúde e de qualificações, condição verdadeiramente essencial para um futuro sustentável.

Vivemos agora tempos de intensa luta de ideias, ainda que as que combatemos não surjam como opções, mas como inevitabilidades. Assistimos a uma feroz luta de classes, que a nossa, a dos 99%, está em risco de perder. Apresentam-nos a configuração social do futuro como tecnicamente “neutra” e a única possível, quando na realidade é o resultado de uma hegemonia política e ideológica de direita, radical, na Europa. Propõem-nos que o país funcione como uma grande empresa, com “colaboradores” eternamente precários, muitos dispensáveis, e uma “repartição de lucros” crescentemente desigual e imoral. Vislumbramos o país para o qual nos conduzem, um país pobre, envelhecido e sem igualdade de oportunidades, assente em serviços públicos mínimos para quem não pode pagar e negócios privados para quem pode. Um país de regresso à imobilidade social, à emigração e não
orientado para o bem comum.

É agora o tempo de lutar pelo país que queremos ser. De ouvir o que se diz nas ruas, que a Esquerda nunca se entende e que já não vale a pena participar. De juntar forças e fazer pontes. De combater os sectarismos que todos temos. De discutir ideias, não rótulos, e encontrar juntos soluções, por vezes imperfeitas, para problemas complexos. De ousar fazer parte de soluções negociadas que sejam determinantes para o nosso futuro coletivo. De devolver a esperança a quem já tem pouco a perder. É esse o desafio e a motivação essencial da candidatura cidadã LIVRE/TEMPO DE AVANÇAR. A de não permitir que deixemos de ser um país de todos e para todos.

Manuela Silva

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