João Massena

Em Janeiro deste ano assistimos ao atentado ao Charlie Hebdo. Assistimos minuto a minuto os desenvolvimentos das operações de caça-ao-homem e todos fomos “Je Suis Charlie”.

Ao mesmo tempo, em Africa, o Boko Haram concretizava mais um dos seus massacres na Nigéria. Morriam ali mais de duas mil pessoas mas a maioria continuou a ser “Je Suis Charlie”, ignorando que muitos mais morriam sem que os seus carrascos fossem “caçados”.

Actualmente, assistimos a um mediterrâneo transformado em cemitério de refugiados que assumem um risco elevado mas evitam uma morte certa, provavelmente com tortura e requintes de malvadez às mãos do Estado Islâmico.

A Europa, como é costume, não sabe como lidar com a situação e depois de tentar uma posição de força bloqueando os barcos em mar alto, medida imediatamente criticada, tenta agora uma posição passiva pretendendo receber um número limitado de refugiados distribuindo-os por quotas pelos Estados-Membros. A Europa pretende assim receber 20 mil refugiados de um universo de meio milhões de pessoas que se julga que tentarão chegar à Europa durante 2015.

A possibilidade de uma intervenção militar na Líbia está em cima da mesa. No entanto é considerada uma última alternativa tendo como um dos argumentos a possibilidade de danos colaterais e perdas de vidas. (O problema são as vidas que se perdem ou os custos associados aos refugiados?)

A União Europeia, mais uma vez fica à espera que a questão se resolva por si demonstrando uma total incapacidade de falar e intervir em unidade. Entretanto, esconde-se atrás de negociações que se arrastam ao longo de meses enquanto pessoas, porque falamos de pessoas, morrem às portas de União Europeia que tem como única preocupação palpável o défice e as medidas de austeridade.

Citando Pedro Abrunhosa “ninguém sai de onde tem paz…”, e paz é o que temos de levar a estes homens, mulheres e crianças que arriscam a morte para fugir da morte certa, porque muito mais do que europeus, somos cidadãos do mundo!

João Massena

Psicólogo

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