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 artigos de Maria Tengarrinha

Ensinou-nos a História que os filhos de abril poderiam, e deveriam, viver com mais esperança, justiça, igualdade e oportunidades; ensinou-nos que poderíamos, e deveríamos, lutar caso a coisa corresse mal. Havia espaço para isso.

A nossa construção democrática foi feita de uniões, acordos, tentativas, muitas delas bem intencionadas, outras tantas oportunistas. Muitas vezes o pequeno aldrabão percebeu onde podia atuar, ganhar e usurpar, pôs uma gravata e deu ares de estadista, aproveitou bem a aberta que essa democracia conquistada a custo lhe deu, tratando de destruir muitas das conquistas que julgávamos salvaguardadas. Agora, chegados a este Maio de 2015, o desanimo, o cansaço, e a desistência, em muitos casos, a completa descrença nesta conquistada democracia, diariamente minada, propositadamente descredibilizada, em que a falta de ética se banaliza, faz com que muitos encolham os ombros e digam: “Para quê? Por quem? Porquê?”. “Vamos lá mas é ver a bola, a novela, aldrabar o jogo, aparecer na TV e cada um que se safe por si.”. Olhamos para as uniões que construíram a nossa democracia e constatamos que em demasiados casos têm alimentado a mediocridade, em vez de criar uma força coletiva, em direção ao bem comum.

Apesar de tudo, e talvez por causa de tudo, a Esquerda tem de tentar; a Esquerda não deve e não pode desistir; até outubro, a Esquerda tem de recuperar e trazer para a luta quem pensa que já não vale a pena; a esquerda tem de juntar vozes e, acima de tudo, pensar em conjunto em soluções. Se perdermos esta oportunidade, chegados a um beco de desespero que exige a mudança, seremos todos responsáveis por não ter tentado fazer melhor. Porque a verdade é que somos todos chamados a participar, mesmo que tentem convencer-nos que vamos falhar, como fazem diariamente em relação à Grécia. Enquanto tivermos energia temos de ir em frente e resistir. Para isso, até outubro, teremos de correr uma maratona, correr com vitalidade por uma democracia inteira, feita de boas uniões, para vivermos com mais igualdade, qualidade e justiça. Que nos encha de fôlego o peito outra vez, pela vontade de mudar.

25 de Abril, sempre.

Maria Tengarrinha (Artigos de Maria Tengarrinha)