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 artigos de César Madureira

Conhecendo de antemão a diversidade de pessoas e de opiniões que compõem o Movimento, seria por demais expectável que não fosse possível construir uma identidade sólida e inequívoca num tão curto intervalo de tempo, tanto mais num momento histórico de tantas dúvidas e mudanças onde o ideológico e o pragmático têm ainda mais dificuldade em encontrar-se. Não obstante, continua a parecer-me excessivamente opaca a marca que o TdA pretende deixar no espaço e no tempo. Aquel@s que nos vão seguindo têm ainda muitas dúvidas sobre nós. E eu também!

Falo-vos do que ouço. Na imprensa, na rua, nas casas dos amigos, no emprego. “O Livre TdA quer deitar-se com o António Costa”. “Querem ser a muleta do PS”. “As figuras mais mediáticas querem garantir um lugar na assembleia”. “São mais de centro do que esquerda”. “Têm uma moderação excessiva e são complacentes com as trapalhadas do PS”.

Não fosse conhecer alguns dos protagonistas do Movimento e o facto de ter ouvido o que disse o Daniel no último “eixo do mal” e confesso-vos que tenderia a dar razão a alguns destes comentários. Por falta de capacidade nossa de fazer chegar às pessoas as nossas propostas, por não estarmos seguros sobre o conteúdo dessas mesmas propostas e/ou pela deturpação que a imprensa faz da nossa mensagem, a verdade é que para as pessoas não resulta claro o que somos nem ao que vimos.

Sobre a disponibilidade para fazermos parte de uma solução de Governo apenas me ocorre uma expressão:Nem sempre nem nunca!” A nossa disponibilidade terá que ter bem presentes as balizas de razoabilidade. E para tanto terá que definir o quanto antes o que entende por razoável. Devemos estar disponíveis para, quando e se tivermos peso para poder decidir, o fazermos tendo em conta exclusivamente os interesses das populações e nunca os nossos próprios interesses.

Sei que, seguramente, estarei em minoria. Mas a verdade é que continuo sem me conformar face à fragmentação a que se assiste na esquerda. Sei que não vos trago nada de novo e por isso serei breve. Não me parece que “zangas passadas” se devam traduzir em incompatibilidades com outras forças de esquerda. As questões pessoais não podem nem devem ser confundidas com questões políticas de fundo.

Se aparentemente o TdA não teve problemas, ainda que informalmente, em disponibilizar-se para fazer uma aliança que viabilizasse uma governação com o PS, porque não fazê-lo com partidos que naturalmente nos são mais próximos.

Não estão esgotadas todas as possibilidades para se fazer uma “frente de esquerda” que concorra às eleições. Para que essa “frente” seja possível têm que se pôr de parte egos, ambições individuais, diferenças no detalhe, velhas zangas, intransigências baseadas em questões menores. Num processo de união da esquerda, à esquerda do PS, poderíamos ser protagonistas nas tentativas de aproximação. Para ser concreto acho que deveríamos convidar para uma aliança pré-eleitoral o BE, a CDU, o PAN, o MRPP, o AGIR, o MAS, etc. Seguramente que a missão é dificílima mas não sei se impossível. Nem todos aceitarão nem todos declinarão. Um Todo da Esquerda, será maior do que a soma das suas partes! É Tempo de Avançar(mos) tod@s junt@s!

por César Madureira
Investigador/Professor
cesar.nuno.madureira@iscte.pt