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 artigos de Renato Carmo

Já se disse tudo: o ante-projeto – negociado pelo PS, PSD e CDS de obrigar os órgãos de comunicação social a submeter o plano de cobertura da campanha eleitoral a um visto prévio – é inaceitável.

Compromete a liberdade de imprensa e a autonomia editorial. E faz regressar a tempos sombrios em que os vistos prévios se traçavam a azul.

A intenção deste ante-projecto revela algo tão ou mais perturbante: quando está em causa a manutenção dos interesses estabelecidos os partidos do bloco central não demonstram grande dificuldade em conciliar estratégias. Com a crise e o forte questionamento social e político, observa-se em vários países da UE uma alteração profunda das habituais geografias eleitorais. Aconteceu na Grécia e na Itália e pode vir a suceder em Espanha. Em Portugal não se pressente ainda uma viragem nas sondagens, mas muita coisa está a mexer nos recentes partidos e candidaturas que surgem com diferentes protagonistas. Há formas alternativas de fazer política e novos discursos que estão a desarrumar o ‘status quo’ por via da participação democrática e da diversificação do debate público.

Os alarmes sobre estes riscos soaram para os lados do ‘centrão’. Mas não vale tudo e a liberdade de expressão continua a ser um direito garantido para todos, do qual não abdicamos.

Artigo publicado no Diário Económico
por Renato Carmo
Sociólogo
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