João Gregório

Área programática: Saúde
Atribuição de novos papéis aos profissionais de saúde
A experiência do “enfermeiro de família” mostra que há espaço para que outros profissionais de saúde possam assumir papéis que tradicionalmente são executados por médicos. Além dos enfermeiros, o recurso aos farmacêuticos comunitários é uma forma de melhorar ainda mais a eficiência dos cuidados de saúde primários. Assim, propõe-se atribuir novos papéis a profissionais não médicos nos cuidados de saúde primários, libertando o tempo do médico para as actividades estritamente do âmbito médico (diagnóstico). O acompanhamento de doentes crónicos será feito por uma equipa constituída por farmacêutico (responsável pela monitorização terapêutica na comunidade e referenciação para consultas de acompanhamento quando necessário), enfermeiro (responsável por receber os doentes referenciados pelo farmacêutico e ajudar a preparar a consulta médica) e médico (análise dos indicadores recolhidos pelos profissionais, para diagnóstico e determinação de indicadores a monitorizar no período seguinte).

Área programática: Saúde
Combate às resistências microbianas e infecções adquiridas nos cuidados de saúde
As infecções associadas aos cuidados de saúde (IACS), causadas por microorganimos resistentes, estão associadas a elevados níveis de mortalidade e morbilidade. Um terço das infecções adquiridas nos cuidados de saúde são evitáveis. Apesar de estarem publicadas guidelines de apoio a estratégias de intervenção suportadas por evidência, os hospitais debatem-se com dificuldades para aderir a essas estratégias. Uma estratégia bem sucedidade no combate às IACs inclui 10 componentes críticos. Os mais prioritários serão: 1. Organização do controlo de infecção a nível do hospital, com profissionais dedicados a tempo inteiro em vez de tempo parcial (um enfermeiro para 100 camas nos cuidados agudos e 1 enfermeiro para 150-250 camas nos cuidados continuados). 2. Taxa de ocupação de camas, dotações dos serviços, e tipo de emprego dos enfermeiros (contrato vs. “Outsourcing”), devem ser cumpridos os números mínimos já descritos na literatura cientifica (o que está longe de acontecer actualmente)

Área programática: Saúde
Concurso público para decidir fornecedores dos diversos medicamentos genéricos para o mercado do SNS
Nas últimas décadas, temos assistido a um esforço significativo por parte dos sucessivos governos para aumentar a cota de genéricos no mercado farmacêutico. As medidas apresentadas têm tido sucesso variável, mas têm tido um impacto na rede de distribuição, em parte também devido à proliferação de marcas de genéricos (conceito original português!). Esta tem sido uma das causas para os médicos resistirem à prescrição de genéricos e que também causa graves distúrbios nas farmácias, com a necessidade de manter em stock pelo menos 5 medicamentos iguais para cada molécula, com as consequências financeiras que daí advêm. Assim, propõe-se abrir concurso público para decidir que laboratório irá fornecer o mercado do SNS de determinada molécula, durante um período de 3 anos (suficientemente longo para ser rentável para o fabricante, e curto o suficiente para que no concurso seguinte possa haver alternativas ainda mais baratas).

As duas primeiras propostas iriam sem duvida traduzir-se num aumento dos custos, pelo que será necessário encontrar alternativas para aumentar o pool de financiamento para estas medidas. Uma sugestão seria recorrer à legalização da canabis para efeitos recreativos, taxando-a de forma semelhante ao alcool e tabaco, cujos os impostos especiais já revertem para financiar o SNS. No entanto, a longo prazo, as poupanças geradas por estas três medidas seriam suficientes para recuperar o investimento incial, e têm potencial para melhorar em muito a sustentabilidade do SNS.

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