Miguel Dias

Certamente que existem muitos argumentos pró e contra as Primárias Abertas. Sou sensível e compreendo os motivos que alimentam ambos os lados da barricada. No entanto, não devemos fechar os olhos à actual crise politico-partidária e ao afastamento da população do processo de decisão democrática. Dizemos que vivemos numa Democracia representativa, mas na realidade esta representa cada vez menos pessoas…

Claro que as Primárias Abertas não serão o elixir da eterna juventude da Democracia. Mas é um passo. E um passo fracturante relativamente ao que temos na lógica partidária vigente. Até ao momento todos os partidos políticos funcionam como democracias musculadas dentro da Democracia. Com a arrogância centralista de quem tudo sabe, ditam as suas listas de “assentos” na Assembleia da República por cada círculo eleitoral, seus nomes e ordenação. Evidente que existem processos de discussão interna a nível regional sobre determinada personalidade e seu lugar na lista, mas o eleitorado não é tido nem achado neste processo.

O que as Primárias Abertas fazem é quebrar a barreira dos ditames partidários. É possibilitar que todos e todas que se revejam nos princípios de determinado espectro partidário e julguem poder contribuir para a discussão política, possam submeter a sua candidatura a candidato/a a deputado/a. Ao mesmo tempo, o eleitorado que se inscreva para tal pode escolher a candidatura ou as candidaturas que julgue mais competentes.

É isto, somente isto, que a candidatura LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR promove com o seu processo de Primárias Abertas. Pela primeira vez nas legislativas não serão os interesses, carreirismo ou cargo ocupado que ditarão a colocação e ordenação nas listas de determinada personalidade. Todas e todos partirão em igualdade de circunstâncias, havendo uma legitimação democrática na posição que ocuparão na lista de cada círculo eleitoral. E todos poderemos dizer que estivemos presentes na primeira festa das Primárias Abertas, um dos meios para democratizar a democracia interna dos partidos políticos abrindo-os à população.

Em início de festa agrada constatar que as coisas começaram bem. Estão registadas mais de 400 candidaturas, estando já salvaguardado o princípio da paridade de género que se julgou essencial para tornar a discussão política o mais abrangente possível. Estou confiante que este processo trará novos actores e actrizes ao panorama cinzentão da política nacional. Pessoas válidas e com conhecimento que esperavam apenas uma oportunidade para mostrarem o seu valor. Vamos agora entrar numa fase em que as candidaturas se darão a conhecer através das iniciativas que se realizarão nos diversos círculos eleitorais. Possivelmente, se tudo continuar a correr bem e se tivermos, no mínimo, a visibilidade nos meios de comunicação social exigível, deixaremos de ser o segredo mais bem guardado da democracia nacional. E vamos poder afirmar bem alto que: Sim! É possível fazer diferente! Aí vamos correr o risco de passar a ser entendidos. Mas a isso me dedicarei numa próxima crónica.

Montijo, 29 de Maio de 2015

Miguel Dias

Subscritor da candidatura cidadã LIVRE / TEMPO DE AVANÇAR

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